Caracterização morfológica e fertilidade em Ensete sp.

Janay Almeida dos Santos Serejo, Everton Hilo de Souza, Taliane Leila Soares, Fernanda Vidigal Duarte Souza, Sebastião de Oliveira e Silva

Abstract


O gênero Ensete pertence à família Musaceae, ordem Zigiberales, e é constituído por sete espécies de origem africana e asiáticas: E. gilletii, E. glaucum, E. homblei, E. perrieri, E. superbum, E. ventricosum e E. wilsonii. As plantas são monocotiledôneas, herbáceas e perenes, sendo chamadas de "falsas bananeiras" devido às semelhanças morfológicas com as bananeiras, embora não pertençam ao gênero Musa (Birmeta et al., 2004a). 
A Ensete representa 65% da produção agrícola do sul da Etiópia. O rizoma e o pseudocaule são altamente ricos em carboidratos e utilizados na alimentação para um quarto da população humana que habita o sul e o sudoeste da Etiópia. Além de fonte alimentar, é economicamente utilizada com várias finalidades, devido ao potencial ornamental e produção de fibras para utilização em artesanatos, entre outros (Tsegaye e Struik, 2002; Shigeta, 1990).
A Ensete sp. é um diplóide com n = 9 cromossomos, enquanto as espécies de Musa têm diferentes níveis de ploidias (diplóide, triplóide e tetraplóide) com n = 9, 10, 11 e 14 (Birmeta et al., 2004a; Bezuneh, 1971). Dentre as espécies do gênero, a Ensete ventricosum (Welw.) Cheesman é a mais importante sócio economicamente em alguns países da África e Ásia (Ploetz, et al., 2007).
Um dos entraves ao cultivo e melhoramento genético das ensetes é a dificuldade na germinação de sementes e o seu longo período vegetativo. Para alguns autores a dificuldade na germinação é explicada pela consistência e forma irregular das sementes. Ainda assim, a maioria das espécies selvagens e as poucas plantas cultivadas são produzidas através de sementes em condições naturais. Apenas algumas ensetes dosmeticadas são propagadas vegetativamente (Constantine, 2006; Birmeta et al. 2004b; Shigeta 1990). Dados da literatura enfocam que o final do ciclo de vida deste gênero acontece após o florescimento, o que leva de 9 a 14 anos (Birmeta et al., 2004a). Isso é explicado pelo fato dessas plantas serem monocárpicas, ou seja elas florescem apenas uma vez e morrem após a frutificação (Birmeta et al., 2004b).
Um acesso do gênero Ensete foi introduzido na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical há 25 anos pelo pesquisador Dr. Kenneth Shepherd, e permaneceu sem frutificar e perfilhar por todo este período. Este pode ser o único exemplar do gênero no País. Com a ocorrência do florescimento, vários ensaios vêm sendo realizados na Embrapa, incluindo polinização com diferentes parentais masculinos, avaliação da germinação de grãos de pólen in vitro de flores hermafroditas e masculinas, germinação in vitro dos embriões zigóticos, além da adequação de protocolo de micropropagação através de gema floral e embriogênese somática, uma vez que a planta não produziu mudas por perfilhamento. O presente trabalho teve como objetivo caracterizar morfologicamente uma Ensete sp. e avaliar sua fertilidade.

Keywords


Ensete sp., Musaceae, viabilidade do pólen, polinização.



DOI: https://doi.org/10.14295/oh.v13i0.1721

ISSN: 2447-536X

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