O paisagismo como uma atividade transdisciplinar fomentando a educação ambiental.

Michelle Melissa Althaus Ottmann, Aurea Portes Ferriani, Ricardo Borsatto, Homero Cidade Junior, Claudio Ferraz Oliver, Eduardo Feniman

Abstract


A maior parte da humanidade vive atualmente nos centros urbanos, funcionando como verdadeiros “parasitas” do planeta, devido ao estilo e proporção do consumo e à conseqüente geração de lixo, resíduos sanitários e industriais, produzidos e despejados diariamente nos rios e em outras áreas. Além da formação de ilhas de calor, subproduto da verticalização arquitetônica, utilização de materiais impermeáveis e a transformação dos antigos jardins, quintais e praças em áreas maciças concretadas. Este cenário tende a se agravar em áreas de risco social, fomentando ainda mais a baixa qualidade de vida dos moradores dessas regiões. Desta forma, o escopo desse trabalho que constitui um recorte metodológico do projeto intitulado “Comunidades verdejantes” é mostrar o programa que vem sendo desenvolvido desde agosto de 2006 até o presente na área de Paisagismo, Horticultura e Agricultura Urbana com as crianças freqüentadoras da ONG Casa da Videira, localizada no bairro Vila Fanny, na cidade de Curitiba, Paraná. Esse bairro da periferia de Curitiba, não dispõe de equipamentos públicos como: praças, parques, biblioteca, posto de saúde, etc. Desta forma, os moradores do bairro, notadamente as crianças e adolescentes, não possuem atividades e espaços para bem aproveitarem o seu tempo livre, aumentando a situação de risco a que estão submetidas. Sem opções, muitas vezes as atividades ilícitas acabam por tragá-los. O projeto se propõe a resgatar e/ou trabalhar o meio urbano promovendo a educação ambiental de crianças, melhoria da paisagem na comunidade e a qualidade de vida de seus moradores. Vários temas são trabalhados com as crianças para tratar de paisagismo, horticultura urbana e agricultura urbana: valorização do paisagismo como um fomentador para a conservação da natureza no meio urbano, arborização de ruas, utilização de espécies vegetais ornamentais, medicinais, aromáticas e comestíveis, jardinagem ecológica dando prioridade para espécies nativas. Outros temas como: nutrição, saúde, conservação de recursos hídricos, geometria, estética, reciclagem de resíduos, aproveitamento de água da chuva, racionalização de uso dos recursos, são discutidos e ampliados por meio de várias formas de arte, como música, teatro e poesia. Os trabalhos ocorrem em encontros semanais, nos quais os monitores abordam os temas de forma transdisciplinar. Como resultados preliminares se pode observar o maior interesse por parte das crianças participantes do projeto nos temas ambientais, as quais propõem alternativas para os problemas atuais e mudanças de atitudes em suas famílias. Qualitativamente, nota-se a melhoria do aspecto visual no local trabalhado, organização do jardim, além da coesão manifestada pelo trabalho em equipe.

Keywords


horticultura urbana, crianças e adolescentes, periferia, conservação da natureza.



DOI: https://doi.org/10.14295/oh.v13i0.1709

ISSN: 2447-536X

 Creative Commons License

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.

SBFPO - Sociedade Brasileira de Floricultura e Plantas Ornamentais | Cadastre-se na revista | Página Oficial SEER | Ajuda do sistema