Micropropagação in vitro da pupunheira (Bactris gasipaes K.)

Humberto Actis Zaidan, Dário Ahnert, Ádson Santos Oliveira, John Silva Porto, Manoel Aboboreira Neto, Fábio Zenaide Maia, Ricardo Araújo Ribeiral, Maria das Graças C.P.C. Silva, Cláudio M. Dessimoni Pinto, Moacir Smith Lima

Abstract


Com apoio do Governo do Estado, existe a perspectiva de serem plantadas, na região cacaueira do sul da Bahia, cerca de 4.000 ha de pupunheiras, para contribuir com o processo de diversificação agrícola, diminuindo os efeitos negativos da monocultura do cacau, muito prejudicada pelo ataque da vassoura-de-bruxa. Atualmente, devido à inexistência de sementes melhoradas de pupunheiras, a expansão do plantio está sendo realizada por sementes sem origem genética definida, levando a conseqüências agronômicas indesejadas, como plantas com pequeno número de perfilhos. Os plantios apresentam grande desuniformidade, sendo o agricultor e a indústria prejudicados pela insuficiente produtividade. Com a micropropagação, será possível acelerar a obtenção de cultivares melhorados, visto que, utilizando-se o processo convencional de melhoramento, o tempo mínimo é de aproximadamente sete anos, porque a pupunheira leva cinco anos para dar início à produção de sementes. Objetivando adaptar um protocolo para micropropagação de pupunheira foram montados experimentos no Laboratório de Cultura de Tecidos de Plantas da CEPLAC/CEPEC/SEFIS. Os ápices caulinares de pupunheira foram produzidos e cedidos pela empresa INACERES Agrícola, sendo oriundos de perfilhos de plantas matrizes adultas em fase de produção de palmito. Foram inicialmente reduzidos a 3,0 cm de comprimento e desinfestados com várias substâncias germicidas e bactericidas (etanol 70% por 1 minuto, hipoclorito de sódio 1 e 3%, hipoclorito de cálcio 1%, Agrimicina 0,5 g/L no meio de cultura, Agrimicina 4g/L em solução de desinfestação) todos em agitação constante por 20 min. Após a desinfestação, os ápices foram novamente reduzidos a 5 mm, em câmara de fluxo laminar e inoculados em meios de cultura MS (Murashige e Skoog, 1962), contendo 3% de sacarose, 0,7% de ágar, pH 5,7. Os meios foram acrescidos de várias substâncias antioxidantes (carvão ativado 3g/L, PVP 0,1 g/L, caseína hidrolizada 1 e 2 g/L, carvão ativado+caseína hidrolizada 3+1 g/L), com várias combinações de reguladores de crescimento (BAP 1,8 e 3,0 mg/L, BAP+ANA 0,8+2,4 mg/L , TDZ 0,2 mg/L, TDZ+BAP 0,2+1,8 mg/L). A incubação foi feita em sala de crescimento a 25°C, com fotoperíodo de 16h. Concluiu-se que os melhores tratamentos foram: a)desinfestação: imersão dos ápices em Agrimicina 4g/L por 20 min, seguida de imersão em etanol 70% por 1 min e hipoclorito de sódio 1% por 20 min, proporcionou altas taxas de descontaminação; b) antioxidantes: carvão ativado + caseína hidrolizada (3+1 g/L) proporcionou baixos índices de oxidação dos ápices; c) reguladores de crescimento: quando se utilizou a combinação de TDZ+BAP (0,2+1,8 mg/L) com posterior transferência dos ápices para o meio contendo TDZ (0,2 mg/L), houve a formação de brotações múltiplas em pelo menos um dos ápices caulinares testados.



DOI: https://doi.org/10.14295/oh.v13i0.1626

ISSN: 2447-536X

 Creative Commons License

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.

SBFPO - Sociedade Brasileira de Floricultura e Plantas Ornamentais | Cadastre-se na revista | Página Oficial SEER | Ajuda do sistema