Efeito de ANA e TDZ na calogênese in vitro de curauá (Ananas erectifolius L.B.Smith).

Isaac Stringueta Machado, Leonardo Soriano, Allan Correia Gomes, Fernanda Bertozzo

Abstract


O curauá (Ananas erectifolius L. B. Smith) é uma bromélia originária do Complexo Amazônico cujas fibras naturais (biomassa renovável e biodegradável) substituem as de origem sintética na indústria, especialmente a automobilística, onde são empregadas na composição de novos materiais (“composites”). A calogênese e a produção de células não diferenciadas representa importante contribuição para o melhoramento genético da espécie, pois através da organogênese indireta pode-se obter variantes somaclonais, com valores agronômicos agregados, ou mesmo, facilitar a obtenção de protoplastos para o emprego da tecnologia molecular do DNA-recombinante. A indução da calogênese está relacionada ao “pool” de hormônios vegetais endógenos, sendo também influenciada pela suplementação exógena de reguladores vegetais; dentre estes, destacam-se o Thidiazuron (TDZ), por ser a mais potente das difeniluréias avaliadas na cultura de tecidos, e o ácido naftalenoacético (ANA), auxina bastante empregada na obtenção de calos. Este trabalho teve como finalidade desenvolver protocolo laboratorial para a indução da calogênese, manutenção e cultivo in vitro de células não diferenciadas provenientes de plantas de curauá. Foram selecionadas matrizes do banco de germoplasma do Departamento de Recursos Naturais (FCA-UNESP) e delas coletados rebentos jovens, que passaram por tratamentos prévios de desinfestação com benomyl, etanol (70%), hipoclorito de sódio (2% de cloro ativo) e proteção antioxidante com ácido ascórbico. Em condições assépticas, procedeu-se desfolhamento segundo a filotaxia original e a extração de gemas epicórmicas apicais e axilares. Os meristemas assim obtidos foram inoculados e estabelecidos in vitro em meio nutritivo basal de Murashige & Skoog (1962), consistência sólida, por um período de 20 dias, no escuro e temperatura ambiente de 27 ±3 Cº. As gemas “habituadas” foram transferidas para meio MS sólido suplementado com diferentes concentrações de ANA e TDZ: T1- ausência de reguladores; T2 – 0,0 mg. L-1 de ANA e 0,25 mg. L-1 de TDZ; T3 - 0,0 mg. L-1 de ANA e 0,5 mg. L-1 de TDZ; T4 – 0,0 mg. L-1 de ANA e 1,0 mg. L-1 de TDZ; T5 – 1,0 mg. L-1 de ANA e 0,0 mg. L-1 de TDZ; T6 - 2,0 mg. L-1 de ANA e 0,0 mg. L-1 de TDZ; T7 - 3,0 mg. L-1 de ANA e 0,0 mg. L-1 de TDZ. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado e o número de repetições 10, sendo 1 gema por frasco. Os resultados fisiológicos de massa fresca, massa seca e teor protéico total foram comparados estatisticamente pelo teste de Tukey (p < 0,05%). A calogênese e cultivo dos aglomerados mostraram-se viáveis na ausência de regulador de crescimento e nos tratamentos com TDZ, onde a produção de calos foi proporcional à elevação da concentração. O mesmo não ocorreu na presença de ANA e os meristemas, em poucos dias, entraram em senescência e posterior necrose. Como conclusões para a espécie e condições empregadas: o TDZ aplicado de maneira isolada pode ser um poderoso indutor da calogênese, especialmente na concentração de 1,00 mg.L-1; é possível a calogênese espontânea in vitro, em meio nutritivo basal MS, sem a presença de regulador vegetal; o ANA reprime a resposta promotora da calogênese.

Keywords


Ananas erectifolius L.B.Smith; calogênese in vitro; ANA; TDZ; regulador vegetal.



DOI: https://doi.org/10.14295/oh.v13i0.1573

ISSN: 2447-536X

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